Patrícia Siqueira é uma artista cuja prática une pintura e colagem, enraizada nas paisagens montanhosas de Minas Gerais. Ela combina planos de papel de cores vivas, rasgados de forma rude, sobre fundos pintados — um processo que concilia o imediatismo material com uma contenção formal. Sua prática situa-se no campo da arte contemporânea, ao mesmo tempo em que permanece profundamente pessoal ao dialogar com a dança, a performance e com questões relacionadas aos ciclos de vida e às relações humanas.
“Não sou capaz de copiar a natureza como um escravo; pelo contrário, sinto-me compelido a interpretá-la e adaptá-la ao espírito da pintura. Todas as minhas relações de cor devem conduzir a um acordo vivo de cor, a uma harmonia, como a da música.” — Henri Matisse
Rios, montanhas, céus: essas formas elementares reaparecem nas paisagens imaginadas por Siqueira. De Minas, ela traz memórias sensoriais intensas, ressignificando territórios familiares por meio de uma abordagem intuitiva e corporal. O ato de rasgar o papel registra o corpo diretamente na obra: as bordas são imprecisas, as formas nascem em vez de serem desenhadas, e cada fragmento afirma-se como um corpo autônomo. Ela veste esses corpos com cor, fazendo-os dançar pela superfície e os compõe por proximidade e tensão em vez da representação literal.
Cor e forma coexistem sem se fundirem; permanecem distintas e autônomas, mas buscam aproximação e diálogo. As composições se expandem e se contraem, preenchendo o papel com figuras que imprimem sua presença e registram sua existência. Direções diversas geram uma relação tensa entre presença e ausência, entre continuidade e interrupção.
Siqueira entende a paisagem como uma experiência sensível e não apenas como topografia — uma memória de sensações, emoções e experiências vividas. Ela abraça a improvisação: a pintura como um ato singular e irrepetível que permite às imagens transformarem-se infinitamente. Espaços se fraturam e se recompõem; horizontes tornam-se linhas de relevo povoadas por movimentos acima e abaixo da terra. Montanhas surgem como corpos sensuais e protetores; rios transmitem a sensação de continuidade; céus atravessam estados infinitos de luz e atmosfera.
Sua obra evoca uma negociação contínua entre o tangível e o efêmero — um equilíbrio suspenso entre terra e céu que insiste na mudança. Seu vocabulário construído com o papel rasgado e sua sensibilidade pictórica convidam o espectador a entrar em um universo tátil e rítmico, onde memória, movimento, paisagem e cor se reconfiguram e se renovam com delicadeza.
— Simon Watson

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