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Estado Bruto – Caio Sóh
Curadoria: Renata Rocco
Curadoria: Renata Rocco:
Curadora Diretora do Acervo de artes do Palácio do Governo do Estado de São Paulo, Professora da arte USP, Curadora MAC e Jurada do Prêmio Pipa.
Corpos desconstruídos, figuras irreconhecíveis, rostos e corpos fragmentados, dilacerados, moles, com a víscera e a carne que pulsam diante de nossos olhos. Palavras e frases escritas que aparecem em lugares incógnitos, sobre pedaços de imagens ou traços. Nesta que é a primeira exposição individual do cineasta e multi-artista Caio Sóh na Galeria Kovak & Vieira, somos arrebatados pela força de suas obras, que reúnem estranhas figuras, movimentos, gestos, inscrições e frases que nos fazem olhar para um mundo que nos escapa completamente.
Esse mundo, no entanto, é aquele que o artista dá a ver. É o seu mundo, onde ele extravasa emoções de modo espontâneo, sem projeto ou narrativa prévia, pintando de forma imediata e incontrolável. Sua pintura é a fuga da consciência, quase como um descarrego, em que sua alma faz o gesto. A esse gesto potente e incisivo soma-se não apenas tinta e tela, mas também materiais que Sóh encontra inadvertidamente na rua e que passam a fazer parte de seu entorno e desse seu mundo. Essa junção de materiais, cores, riscos e curvas — com força, gesto, riso, dor, vida, morte, amor e mudança — vibra no ritmo da vida do artista. Não há programa a seguir; não há ensaio ou roteiro.
Sua produção ocorre de maneira singular a cada peça, em que vemos a urgência de se manifestar. Poderíamos pensar esse processo à luz do que disse o artista norte-americano Jean-Michel Basquiat — com quem a criação de Sóh estabelece um diálogo — ao afirmar que não pensava em arte enquanto trabalhava, mas que tentava pensar na vida. E de fato, é a vida como é sentida que irrompe nas obras de Sóh.