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O TEMPO DA OBRA
O conjunto de obras selecionados para a primeira individual de Cintia Ka mostra a relação da artista com o tempo – mais especificamente com o tempo da obra. Cada tela apresenta camadas que são pré-requisito para o próximo gesto. Portanto, de nada adianta apressar-se: o passo seguinte só será dado quando a própria obra estiver pronta para isso.
Essa abordagem está muito relacionada à ascendência de Cintia. Ainda que de forma inconsciente, é fácil notar a ligação da artista com alguns pilares filosófico-culturais do Japão, como aquele que prevê o cuidado em cada gesto, o reconhecimento da persistência rumo à excelência e, sobretudo, o respeito pelo tempo das coisas.
Esses preceitos aparecem muito claramente em obras como Himeji-jo, em que a tinta é transformada em uma espécie de renda por meio de pequenos movimentos; ou ainda em Aizomê, título emprestado da técnica milenar japonesa de tingimento de tecidos com uma planta, um processo longo e minucioso. Em Sakura, por sua vez, Cintia aborda a transitoriedade da vida simbolizada pela tradicional cerejeira japonesa, cuja floração é ansiosamente aguardada e celebrada, mas dura apenas poucos dias.
Em O tempo da obra, as obras de Cintia representam uma oportunidade de repensarmos a forma acelerada e, muitas vezes, distraída com a qual realizamos tarefas. Mais uma vez, fica a cargo da arte o ensinamento de que, para nós, cada coisa também leva seu tempo.